Por Rogério de Campos
“Os cantos de luta eram uma característica da longa marcha para a guerra (...) Na guerra, os cantos tranquilizavam aqueles que tinham medo, acentuavam a determinação do regimento de ganhar uma batalha e tornavam muito mais urgente a necessidade de acertar as contas”, diz Steve Biko em seu Escrevo o Que Eu Quero.
Se a música foi essencial como ferramenta na luta contra o Apartheid dentro da África do Sul, foi também muito importante na luta internacional contra o regime racista sul-africano.
Já no início dos anos 1960, logo depois do Massacre de Sharpeville, o sindicato dos músicos do Reino Unido decretou o boicote contra a África do Sul. Os Rolling Stones e os Beatles, por exemplo, recusaram convites para tocar na África do Sul. John Lennon doou dinheiro para a campanha de boicote. Em 1984, o Queen não apenas foi muito criticado por se apresentar na África do Sul, mas foi também multado pelo sindicato dos músicos[1].
É preciso ter em conta que como a África do Sul era, até 1961, uma colônia britânica, a ligação entre os dois países era bem forte. Havia muitos exilados sul-africanos vivendo na Inglaterra. Tais exilados tiveram bastante importância, por exemplo, no desenvolvimento do jazz inglês a partir dos anos 1960.
Mas em 1962 quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução condenando o Apartheid e chamando um boicote econômico e diplomático contra a África do Sul, a Grã-Bretanha, junto com as outras grandes potências ocidentais foram contra. Cerca de 30% das exportações sul-africanas tinham como destino o Reino Unido. E também cerca de 30% das importações da África do Sul vinham do Reino Unido. Boa parte das armas das forças de repressão sul-africanas eram britânicas. Assim, a luta do movimento Anti-Apartheid foi por décadas, na Inglaterra e, de maneira geral, nas grandes potências ocidentais, também uma luta contra seus próprios governos.
Em 1963, Samuel Beckett e outros dramaturgos proibiram apresentação de suas peças para plateias segregadas. Em 1964, a África do Sul foi banida das competições olímpicas. Em 1965, cerca de 500 professores universitários britânicos assinaram um manifesto contra o Apartheid, contra a perseguição de acadêmicos progressistas pelo regime sul-africano e contra qualquer envolvimento com universidades sul-africanas que praticassem a discriminação racial.
Nos Estados Unidos, talvez porque a Esquerda estivesse muito dedicada à luta contra a discriminação racial dentro do próprio país e à luta contra a guerra no Vietnã, o movimento pelo boicote contra a África do Sul não teve grande força até o fim dos anos 1970. Abbey Lincoln e Max Roach gravaram “Tears For Johannesburg” em 1960, como parte do disco We Insist!. E a primeira faixa de From South Africa to South Carolina, que Gil Scott-Heron e Brian Jackson lançaram em 1975, é “Johannesburg”. As duas músicas são preciosidades, mas também duas das raras manifestações contra o Apartheid por parte de artistas norte-americanos na década de 1960 e 70. Na própria “Johannesburg”, Gil Scott-Heron registra a ignorância que havia nos Estados Unidos a respeito do que acontecia na África do Sul: “Sister, woman, have you heard?/ From Johannesburg?/ They tell me that our brothers over there are defying the Man/ And we don’t know for sure because the news we get is unreliable, man” (“Irmã, mulher, você ouviu?/ De Johannesburg?/ Eles me dizem que lá nossos irmãos estão desafiando o Homem/ E não sabemos ao certo porque as notícias que recebemos não são confiáveis, cara” ). Para o jornalista Marcus Baram, biógrafo de Scott-Heron, “Johannesburg” é “a primeira canção pop a falar do Apartheid” e teve papel decisivo para chamar a atenção nos Estados Unidos a respeito do que estava acontecendo, pelo menos no movimento negro. Ainda assim, vários artistas do país seguiam fazendo shows na África do Sul, inclusive artistas negros como Ray Charles, Tina Turner e Curtis Mayfield. O caso de Gram Parsons, que em 1968 saiu do The Byrds em protesto contra os planos da banda de tocar na África do Sul, é raro. Quando representantes do Movimento da Consciência Negra fizeram um apelo para que Millie Jackson não se apresentasse na África do Sul, dizem ter ouvido essa resposta: “Soweto? Onde é isso? Nunca ouvi falar (...) eu não vou misturar minha carreira com política”.
Mas a partir de
1976, ficou cada vez mais difícil alguém dizer que não sabia onde era Soweto. O
massacre de centenas de crianças que faziam um protesto pacífico em Soweto em
junho daquele ano, e o assassinato de Steve Biko no ano seguinte obrigou o
mundo a prestar atenção ao que acontecia na África do Sul. Já em 1978, várias
músicas falavam de Biko e sua luta.
“Foi Steve Biko, não Mandela, quem se tornou o primeiro ícone antiapartheid. Depois que o jovem radical, líder do movimento da Consciência Negra, morreu sob custódia policial em 1977, ele inspirou canções de artistas como o cantor folk Tom Paxton, o astro do rock progressivo Peter Hammill, de astros do reggae como o Steel Pulse e Tappa Zukie e, mais tarde, a canção mais famosa, de Peter Gabriel”, diz o jornal The Guardian[2].
“Biko”, de Peter Gabriel, tornou-se um hit planetário imediatamente após seu lançamento, em agosto de 1980. Naquele ano, sob grande pressão da opinião pública mundial, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução 35/206: “A Assembleia Geral das Nações Unidas solicita a todos os Estados que impeçam qualquer intercâmbio cultural, acadêmico, esportivo e de outra natureza com a África do Sul. Este também é um apelo a escritores, artistas, músicos e outras personalidades para que boicotem a África do Sul. Pedimos a todas as instituições acadêmicas e culturais que encerrem todos os vínculos com a África do Sul”.
Em 1982, o ANC (African National Congress, o principal partido de oposição ao Apartheid) resolveu focar a luta na campanha pela libertação de seu líder histórico, Nelson Mandela. E no ano seguinte, a campanha ganhou um grande presente: o britânico Jerry Dammers e sua banda, The Specials A.K.A., lançaram “Free Nelson Mandela”, que foi adotada imediatamente pelo ANC. Se “Biko”, de Peter Gabriel, é uma canção fúnebre, “Free Nelson Mandela” é um festivo convite à luta. Um hino dançante.
Dammers tornou-se o mais importante líder branco do movimento musical contra o Apartheid. Fundou o braço britânico do Artists United Against Apartheid e organizou diversos eventos para a causa, inclusive o grande festival de 1988 no estádio de Wembley em comemoração do aniversário de 70 anos de Mandela. O festival teve a participação de astros como Stevie Wonder, Miriam Makeba, Hugh Masekela, Dire Straits, Whitney Houston, Simple Minds, Youssou N’Dour, Eurythmics, Chrissie Hynde (com o UB40), Salif Keita, Bee Gees, Al Green, Sting, George Michael e Steven Van Zandt, compositor do terceiro grande hino da luta internacional contra o Apartheid: “Sun City”, lançada em 1985.
Assim, como “Free Nelson Mandela”, “Sun City” é um hino dançante, mas carregado de ira, contra o regime racista sul-africano e especificamente contra artistas que continuavam a furar o boicote contra a África do Sul. Ainda que a citação dos nomes desses artistas tenha sido retirada da versão final de “Sun City”, é bem sabido quais eram os alvos de Van Zandt: Frank Sinatra, Queen, Elton John[3], Cher, Rod Stewart, Beach Boys, Black Sabbath[4]... Vários dos quais, anos depois, demonstraram seu arrependimento, mas que na época foram muito bem pagos para fechar os olhos para o que estava acontecendo.
A própria gravação de “Sun City” foi um grande acontecimento, com um line-up mais variado até que o dos tantos discos e eventos de caridade que fizeram tanto sucesso nos anos 1980, só que bem mais fino: teve Miles Davis, Joey Ramone, Bob Dylan, Afrika Bambaataa, Lou Reed, Kurtis Blow, Ringo Starr (com seu filho Zak), Run-DMC, Keith Richards e Ron Wood, DJ Kool Herc, Eddie Kendricks e David Ruffin, Bobby Womack, Rubén Blades, George Clinton, Ray Barretto, Sonny Okosun... todos anunciando que eles não iriam entreter os racistas sul-africanos. A música foi boicotada por boa parte das rádios norte-americanas (porque, entre outras coisas, criticava a postura amistosa do governo Reagan com relação ao regime racista da África do Sul), mas tornou-se um hit internacional e rendeu um bom dinheiro às campanhas do ANC contra o Apartheid.
Max Roach & Abbey Lincoln – “Tears For Johannesburg” (1960)
Gil Scott-Heron – “Johannesburg” (1975)
Permitam-me aqui dar um testemunho: em algum momento da segunda metade dos anos 1970 encontrei From South Africa to South Carolina em uma pilha de discos em liquidação em uma espécie de loja/depósito. Eu era um adolescente sem grana, e era só em lugares assim que podia comprar discos. Nunca tinha ouvido falar de Gil Scott-Heron e ainda iria demorar muitos anos para ouvir pela primeira vez “The Revolution Will Not Be Televised”. Peguei aquele disco sei lá por qual razão, provavelmente pela capa, não sei: nesses tipos de lojas, não tinha esse luxo de pedir para ouvir o disco antes de comprar, então só ouvi aquilo ao chegar em casa, e fiquei muito fascinado. Sei que as listas dos melhores discos do Gil Scott-Heron começam com Pieces of a Man (1971) ou Winter in America (1974), e eu concordo, claro senhores!, mas meu favorito é From South Africa to South Carolina. É um dos discos que mais ouvi na vida. Na época, decorei as letras. E foi por causa dele que me acendeu o alerta a respeito da África do Sul.
Sonny Okosun – “Fire in Soweto” (1977)
Sonny Okosun (1947-2008) é um dos maiores astros da história do pop nigeriano e “Fire in Soweto” é talvez o ponto mais alto de sua carreira. Mistura de reggae, funk e a música tradicional nigeriana, é um apelo pelo panafricanismo.
Randy Newman – “Christmas in Cape Town” (1983)
“Christmas in Cape Town” não é um hino para ser cantado em passeatas, a melancólica ironia de Randy Newman não combina com isso. “Christmas in Cape Town” é um conto em que o narrador é um tosco branco racista sul-africano que se perturba com tudo o que vê acontecer. A garota inglesa, por exemplo, que insiste em criticar a maneira com que o povo negro é tratado (“It's a real disgrace, she says/ I tell her, darling, don't talk about things/ You don't understand/ I tell her, darling, don't talk about something/ You don't know anything about/ I tell her, darling, if you don't like it here/ Go back to your own miserable country”) e a longa fila de trabalhadores negros nos olhos dos quais ele pressente uma ameaça que não consegue entender, mas pode sentir (“The niggers were waitin' in a big long line/ You know those big old lunch pails they carry, man/ With a picture of Star Wars painted on the side/ They were starin' at us real hard with/ Their big ugly yellow eyes/ You could feel it/ You could feel it”). Tudo parece prenúncio de que o país está para explodir. Até mesmo a cerveja, que já não tem o gosto que costumava ter.
The Specials AKA – “Nelson Mandela” (1983)
Stevie Wonder – It’s Wrong (1985)
Steve Wonder não apenas compôs “It’s Wrong”: ele também dedicou seu Oscar pela canção “I Just Called to Say I Love You” para Nelson Mandela e chegou a ser preso em um protesto à frente da embaixada sul-africana em Washington.
Artists United Against Apartheid - "Sun City" (1985)
Bantustões eram territórios segregados que o regime do Apartheid reservou para a população negra do país. O objetivo do regime era a remoção total da população negra da África do Sul: “Se nossa política for levada à sua conclusão lógica, não haverá um único homem negro com cidadania sul-africana”, declarou publicamente o ministro Connie Mulder em 1978. Milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas e relocadas para esses territórios. Havia 20 bantustões. A soma de todos esses territórios equivalia a 13% da área total do país. Supostamente, eram territórios autônomos e governados por líderes negros. Na prática, eram territórios miseráveis, sem infraestrutura e governados por ditadores corruptos a serviço do governo sul-africano. Não havia empregos, então as pessoas continuavam obrigadas a trabalhar na África do Sul, mas como “estrangeiros”, sem qualquer direito civil. “Não é nenhum exagero dizer que essa política é uma forma de genocídio lento”, diz Steve Biko em Escrevo o que Eu Quero.
Em 1979, o magnata sul-africano Sol Kerzner inventou uma maneira para tentar driblar o boicote cultural contra a África do Sul e criou o luxuoso hotel/cassino Sun City no bantustão Boputatsuana. Assim, os artistas não estariam se apresentando na África do Sul, mas em outro país. Acontece que os bantustões não eram reconhecidos pela ONU e nenhuma outra nação a não ser a África do Sul. A trapaça era evidente e foi denunciada internacionalmente pelo movimento negro. Mesmo assim, vários artistas, alguns se fazendo de desatentos, toparam tocar lá, em troca de cachês milionários. Foi contra isso que Steve Van Zandt fez “Sun City”.
Djavan - "Nkosi Sikelel' iAfrika" (1986)
“Soweto” foi um dos sucessos do disco Não é Azul, Mas é Mar, de 1987, mas já no disco anterior, Meu Lado, Djavan havia gravado "Nkosi Sikelel' iAfrika" (Deus abençoe a África), hino religioso composto pelo sul-africano Enoch Sontonga em 1897 que em 1925 foi adotado pelo partido do Congresso Nacional Africano como seu hino. Em 1994, depois do final do regime do Apartheid, "Nkosi Sikelel' iAfrika" tornou-se a base do novo hino oficial da África do Sul.
Youssou N’Dour - “Nelson Mandela” (1986)
No ano anterior ao lançamento do álbum Nelson Mandela, que tem essa música de mesmo nome, o senegalês Youssou N’Dour organizou um festival em Dakar pela libertação do líder sul-africano. Na época N’Dour era ainda um jovem talento em ascensão. Nos anos seguintes ele se tornou um dos maiores astros da música africana. E continuou um ativista: em 2003, por exemplo, cancelou uma tour nos Estados Unidos em protesto contra a invasão do Iraque.
Eddy Grant – "Gimme Hope Jo’Anna" (1988)
Essa música de Eddy Grant, nascido na Guiana, tornou-se um hit internacional e ficou em primeiro lugar de diversas paradas da Europa. Tornou-se também muito popular na África do Sul, apesar de banida pelo regime. O “Jo’Anna” do título refere-se a Johannesburg.
Queen Latifah (e Monie Love) – Ladies First (1989)
A rainha Latifah estreou quebrando tudo com o disco All Hail the Queen (1989) e a faixa “Ladies First”, com a inglesa Monie Love, é um marco na história do hip hop, um motim feminista. A mensagem foi ainda mais amplificada nesse videoclipe.
B.R.O.T.H.E.R. – “Beyond The 16th Parallel”
O Black Rhyme Organisation to Help Equal Rights (B.R.O.T.H.E.R.) foi criado em 1989 para arrecadar dinheiro para a ANC (African National Congress). Reunia vários grupos da cena do reggae e hip hop britânicos: de veteranos como Jerry Dammers a jovens como o Overlord X e o London Posse. Um dos grupos era o duo hip hop pop Cookie Crew, que gravou “How Long (Has This Been Going On)”, outra ótima música de protesto contra o Apartheid:
Free South Africa Hip Hop Against Apartheid – "Ndodemnyama" (1990)
Vuyisile Mini foi um dos principais líderes sindicais negros na África do Sul nos anos 1950, e era também um músico, compositor de diversas canções que se tornaram hinos da luta contra o Apartheid. A mais popular dessas canções foi “Pasopa nantsi 'ndondemnyama we Verwoerd” (“Cuidado, Verwoerd, aqui estão os negros”: Hendrik Verwoerd foi primeiro-ministro da África do Sul e ideólogo racista conhecido como “pai do Apartheid”). “Ndodemnyama”, como a canção é mais conhecida, foi gravada por muita gente, entre as quais Miriam Makeba. Dizem que é a canção que Mini cantou ao subir no cadafalso para ser enforcado pelo regime do Apartheid, em 1964.
Sob a liderança de Afrika Bambaataa, esse grupo de rappers que inclui Queen Latifah, Brand Nubian, Grandmaster Melle Mel, Jungle Brothers, Rahiem e Overlord X, retomaram “Ndodemnyama”, mas com uma modificação na letra: ao invés “Ndodemnyama we Verwoerd”, eles cantaram “Ndodemnyama Mr. Botha/ Ndodemnyama South Africa” (P.W. Botha foi o principal líder político do Apartheid entre meados dos anos 1970 e final dos anos 1980). Nessa versão eles falam de Nelson Mandela, mas lembram também de outro herói da luta contra o racismo: Martin Luther King Jr.
Stetsasonic – “Free South Africa” ou “A.F.R.I.C.A.” (1991)
Uma das bandas mais finas da história do hip hop, o Stetsasonic mostra em “Free South Africa” como estava acompanhando bem o que acontecia não apenas na África do Sul, mas também nos outros países do sul africano. Existe uma versão anterior dessa música, de 1990, que também é muito boa.
Linton Kwesi Johnson – "Mi Revalueshanary Fren" (1991)
Linton Kwesi Johnson, ou LKJ, é hoje reconhecido como um dos maiores poetas da língua inglesa e é um dos dois únicos poetas vivos incluídos na prestigiada Penguin Modern Classics. No entanto, o principal de sua obra como poeta são suas letras de música, seu interesse por poesia é relativamente tardio e nasce a partir do desejo de usá-la como ferramenta política, ainda no tempo em ele era militante dos Panteras Negras na Inglaterra:
“Cheguei à poesia através da política. Foi como ativista dos Panteras Negras que descobri algo chamado literatura negra, livros escritos por pessoas negras sobre os quais eu antes não sabia nada. E teve As Almas do Povo Negro, do W.E.B. DuBois, que não era exatamente poesia, era prosa, mas era uma prosa muito poética, e aquilo mexeu comigo e me fez querer escrever, escrever versos. Então, não sei, sempre me senti atraído por poesia política. Algumas pessoas defendem essa ideia de arte pela arte, essa besteira de que a política não tem papel na arte, o que é pura bobagem”[5].
O amigo revolucionário a que LKJ se refere em “Mi Revalueshanary Fren” é o velho pensador marxista C.L.R. James, autor de clássicos como Jacobinos Negros e Uma História da Revolta Pan-Africana, que foi mentor do poeta ativista. LKJ esteve, inclusive, entre as pessoas que cuidaram de James em seus últimos dias de vida. A letra descreve uma conversa entre os dois a respeito da crise da União Soviética no final dos anos 1980. James morreu poucos meses antes da Queda do Muro de Berlim, mas já há tempos imaginava o que estava para acontecer. Sua crítica radical ao regime soviético fora inclusive a razão, em 1940, para seu rompimento com Leon Trotsky, que até o fim insistia em considerar que a URSS, apesar de Stalin, continuava a ser um estado proletário a ser defendido por todos os comunistas, mesmo aqueles que eram caçados pela KGB. James será sempre um anti-stalinista visceral. Mas vê a crise terminal do regime soviético com certa preocupação. LKJ, de seu lado, comemora a queda dos burocratas stalinistas, que merecem desaparecer, assim como o Apartheid:
Kaydar
E ad to go
Zhivkov
E ad to go
Husack
E ad to go
Honnicka
E ad to go
Cauchescu
E ad to go
Jus like apartied
Wi av to go
Aqui uma versão ao vivo, de 1996:
Rogério de Campos é autor de livros como Um Santo em Marte, O Segredo da Sedução do Inocente e Revanchismo.
[1] https://www.theguardian.com/music/2005/jan/14/2
[2] https://www.theguardian.com/music/2013/dec/06/nelson-mandela-protest-song-special-aka
[3] Em 2008, a produção de Elton John anunciou sua suposta primeira turnê na África do Sul e pessoas com memória lembraram a série de apresentações em Sun City que ele fez em outubro de 1983.
[4] Foram seis shows do Black Sabbath em julho e agosto de 1987. Se isso consola os fãs de Ozzy Osbourne, o vocalista da banda nessa época era Tony Martin. O baterista Bev Bevan se recusou a fazer os shows e foi substituído por Terry Chimes, ex- The Clash! Não é sem razão que Chimes era chamado de Tory Crymes (“tory” é um equivalente de “direitista”) pelos seus colegas do Clash.
[5] https://africasacountry.com/2017/05/linton-kwesi-johnson-and-black-british-struggle/