"Beco do Rosário" entra na Fuvest 2030-2033 e marca um novo capítulo para os quadrinhos brasileiros

HQ de Ana Luiza Koehler, publicada pela Veneta, passa a integrar a lista de leituras obrigatórias do vestibular da USP e reforça o reconhecimento dos quadrinhos como leitura crítica no debate educacional e cultural brasileiro
21 de janeiro de 2026 por
"Beco do Rosário" entra na Fuvest 2030-2033 e marca um novo capítulo para os quadrinhos brasileiros
Editora Veneta

Por Guilherme Ziggy


A HQ Beco do Rosário, de Ana Luiza Koehler, passa a integrar a lista de leituras obrigatórias da Fuvest nos vestibulares de 2030 a 2033. A decisão representa um marco para os quadrinhos brasileiros ao reconhecer a linguagem como leitura fundamental para a formação crítica dos estudantes, além de consolidar a trajetória da autora, publicada pela Veneta, no debate cultural e educacional do país.

“Eu recebi inicialmente com um pouco de incredulidade, e em seguida com uma grande alegria”, afirma Ana Luiza Koehler. Para a autora, ver a obra indicada para o ingresso no ensino superior é um reconhecimento potente e um incentivo para seguir contando histórias que dialogam com a realidade brasileira, suas cidades e seus conflitos históricos e sociais.

Segundo Koehler, a presença de Beco do Rosário na Fuvest pode contribuir para que os quadrinhos sejam vistos no ensino médio não apenas como entretenimento, mas como veículos de reflexão política e histórica. A autora destaca que a obra aborda narrativas urbanas silenciadas e propõe um olhar crítico sobre o passado, especialmente sobre aquilo que foi apagado em nome de versões mais conformistas da história.

Para o pesquisador Paulo Ramos, da USP, a inclusão da HQ ajuda a reforçar algo que demorou décadas para ser institucionalmente reconhecido. “Quadrinhos são leitura”, afirma, lembrando que, embora não sejam literatura, compartilham com ela o fato de serem narrativas e exigirem competências interpretativas complexas. A presença na Fuvest, segundo ele, tende a ampliar o interesse e a circulação da obra.

Ramos também observa que Beco do Rosário oferece material consistente para debates sobre memória urbana, racismo estrutural e apagamento histórico, desde que seja efetivamente explorada nas questões do vestibular. Para o pesquisador, a escolha da Fuvest sinaliza uma aproximação com visões mais amplas de leitura, que consideram diferentes formas narrativas na avaliação dos candidatos.

“Essa inclusão é precisamente aquilo que eu quis ao criar Beco do Rosário”, resume Ana Luiza Koehler. A autora vê na escolha uma confirmação do sentido original da obra: ser um instrumento de leitura crítica do passado e do presente, capaz de dialogar com professores, estudantes e leitores de diferentes contextos, ampliando o alcance dos quadrinhos brasileiros como forma de pensamento e resistência.


Guilherme Ziggy é poeta, tradutor e jornalista. É autor de Consultas autônomas (2019) e Pequena passarela sobre o abismo (no prelo, 2026).

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Editora Veneta 21 de janeiro de 2026
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